Você sabe quantas estrelas seu carro possui?

19 de janeiro de 2017 por Ticket Log em Segurança
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O que você faz quando quer encontrar um bom hotel, que ofereça bons serviços e que seja bem avaliado? Verifica a classificação por estrelas, correto? Pois bem, você já fez isso também para encontrar um bom carro? Saiba que esse é um quesito fundamental na hora de escolher um veículo seguro.

A cada ano, milhares de novos veículos são avaliados por meio do crash test – o teste de colisão ou de impacto – que compara o desempenho de modelos similares fabricados por diferentes montadoras. O objetivo é classificar itens de segurança e verificar se esses veículos atendem às normas de proteção automotiva em casos de acidentes de trânsito.

Em 2014, a ONU (Organização das Nações Unidas), estabeleceu um sistema regulatório para segurança veicular, com regulamentações básicas para a produção automobilística em todo o mundo. As recomendações têm como objetivo diminuir o número de mortes e de sequelas graves decorrentes de acidentes de trânsito e estão relacionadas ao conjunto de Metas Mundiais para o Desenvolvimento Sustentável.

Cada região do planeta possui um programa específico de avaliação. Por aqui, o responsável é o Latin NCAP, Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e o Caribe, fundado em 2010 para testar a segurança de veículos novos produzidos no Brasil, Argentina e México. A organização adota a metodologia utilizada pela Euro NCAP, programa para os países europeus, e tem apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Os veículos selecionados para os testes, em geral estão entre os mais vendidos por categoria e contam com equipamentos básicos de segurança disponíveis no mercado. São realizados testes de colisão frontal, colisão lateral e colisão contra poste. A classificação vai de zero a cinco estrelas e é dividida em avaliações para crianças e adultos. Em 2016, a Latin NCAP aumentou o número dos quesitos e incluiu o teste de controle eletrônico de estabilidade (ESC). No Brasil, poucos modelos são fabricados com o ESC de série – cerca de 9% da frota brasileira contra 63% em todo mundo. O item tornou-se obrigatório para a obtenção de cinco estrelas.

Também são avaliados os sistemas de segurança ativa, como cintos de segurança, sistema antibloqueio das rodas (ABS), sistema de frenagem automática de emergência de baixa e alta velocidade, e a frenagem de emergência para pedestres (sistemas AEB).

“Com o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas e acessíveis, é possível promover mais segurança na produção automobilística a custos viáveis. Para isso, é necessário que os governos se empenhem na adoção das normativas estabelecidas pela ONU para que o desempenho de segurança de um modelo se mantenha a partir da aprovação original durante todo o período de venda nos mercados da região”, afirma Alejandro Furas, secretário geral da Latin NCAP.

Furas dá um exemplo de como a classificação impacta a produção de veículos e a segurança. Em testes realizados nos EUA, foram comparados um modelo Nissan Versa 2016, vendido nos Estados Unidos, e um modelo Nissan Tsuru 2015, vendido no México. Ambos são modelos populares produzidos em solo mexicano, sendo o Tsuru, o modelo mais vendido no México, com cerca de 45 mil unidades/ano. Na avaliação final, o Versa foi qualificado como “bom” enquanto o Tsuru ganhou zero estrela para o ocupante adulto e para o ocupante infantil. Depois de três anos seguidos com classificação zero estrela, a montadora anunciou que vai parar a produção do Tsuru no México, em 2017.

Outro modelo que obteve zero estrela tanto para ocupante adulto quanto para ocupante infantil, em recente teste realizado pela Latin NCAP, foi o Spark GT’s, da Chevrolet, fabricado na Índia e popular em vendas na Colômbia e no México. Na avaliação de Furas, não se justifica a diferença de segurança entre a versão europeia e versão latino-americana do mesmo veículo. “Trata-se de uma decepção, especialmente em um modelo que tem o potencial de oferecer níveis de proteção elevados, quando sua versão básica equipada com seis airbags foi avaliada pelo Euro NCAP, em 2009, e atingiu quatro estrelas. É inaceitável que o modelo Spark GT na versão europeia, que inclui airbags, seja oferecido por um valor similar ao da versão básica para América Latina, que não conta com airbags.”

Em modelos fabricados no Brasil, a Latin NCAP comparou o Fiat New Palio e o Peugeot 208, modelos que compartilham parte do segmento mais concorrido do mercado brasileiro, segundo a organização. Em testes de impacto lateral, o New Palio mostrou mais proteção pois, conta com barras de impacto lateral nas portas. Já o modelo brasileiro do Peugeot 208, não tem o reforço lateral enquanto o mesmo modelo comercializado na Franca tem. “Infelizmente a proteção lateral ainda não é obrigatória nos países latino-americanos, salvo no Equador que é a exceção, por ser o único país da América Latina que adotou as normativas da ONU”, frisa Furas.

Os impactos laterais representam um alto risco para os ocupantes, já que existe pouco espaço nelas para absorver a energia de um choque desse tipo. “O Latin NCAP solicita a todos os governos da América Latina a implementação, o mais rápido possível, da obrigatoriedade da regulação UN95 para a proteção contra impacto lateral junto com a UN94 de impacto frontal e o Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC). A regulação UN95 para a proteção em impacto lateral é obrigatória na Europa há mais de 20 anos, e consideramos que os latino-americanos devem atingir, à brevidade, esse padrão mínimo de proteção”, afirma Furas.

Um relatório divulgado em outubro pelo Global NCAP (Programa de Avaliação de Carros Novos) e pelo BID, apontou que 40 mil mortes e 400 mil sequelas graves poderão ser evitadas até 2030 na América Latina, se forem adotadas as medidas básicas de segurança veicular propostas pela ONU, com uma economia de US$ 143 bilhões para os países analisados: México, Chile, Brasil e Argentina.

Em nota, a presidente da Latin NCAP, Maria Fernanda Rodriguez, comentou o estudo. “Esse relatório demonstra que devem ser implementadas as regulações da ONU na região da América Latina. Sabemos que os fabricantes podem fazê-lo, mas não cooperam; os governos devem agir agora para salvar as vidas de seus cidadãos que merecem os mesmos níveis de proteção que os norte-americanos ou europeus”.

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